sexta-feira, 29 de maio de 2009

simples belo belo simples

Hoje eu e minha amiga Ju fomos passear na rua dos sonhos de qualquer menina que ame se vestir (Ouvidor - Centro) e ao passarmos no Largo da Carioca lembramos que era a última sexta do mês, dia do "espetáculo".
Trata-se de um pequeno grupo que dança e interpreta canções maravilhosas bem na rua mesmo. Tudo muito simples e muito lindo. Eles formam um círculo de tecidos no chão e cada tecido é um "camarim" de um deles. lá tem adereços como máscaras, roupas, que eles vão trocando dependendo da música e dançam e acompanham as músicas, sempre improvisando com leveza e amor e alegria.
Descrevendo parece muito bobo mas só assistindo mesmo para sentir.
É claro que apesar da Carioca ser um lugar onde as pessoas param até para ver cachorro escrever nome com plaquinhas (???), ninguém deu atenção ao espetáculo. Só tinha mendigos (muitos) assistindo e vibrando além de mim e da Ju. Teve uma mulher que ainda passou no meio da apresentação e tão apática nem olhou para os lados, não sei se não reparou ou se não quis dar a mínima e sinceramente não sei qual dos dois é pior.
Os moradores de rua apladiam, teve um que entrou no meio, vestiu os adereços e dançou com os atores. Não tinha nenhum segurança para tira-lo, nem os atores o fizeram, pelo contrário inseriram ele no show. Acho que isso é arte. Bem diferente, por exemplo, do episódio da premiação em 2005 da Associação Paulista dos Críticos de Arte onde um espectador subiu na cadeira e começou a declamar um texto e muitos queriam retira-lo a força, só após a atriz Fernanda Montenegro começar a defende-lo, lembrando aos presentes que a arte está ligada a liberdade de expressão que o rapaz pode ficar.
Hoje em dia a arte está tão segmentada, formal demais, nada pode sair do previsivél, do padrão. Muitos consideram artistas somente quem está na televisão e não conseguem ver a beleza que nos cerca no dia a dia. É claro que gosto é muito pessoal mas sensibilidade para a arte é só abrir um pouquinho o coração que surge.
Dois executivos passaram por trás da gente e disseram que nunca viram nada tão ridículo. Meus olhos encheram de lágrimas. Tive pena não dos artistas que não são valorizados mas sim dos executivos que apenas "acham" que estão vivos.

Um comentário:

Fernanda disse...

Ai que saudades de passar na Carioca de tarde e ver show que parece circo.