quinta-feira, 15 de abril de 2010

Cheirinho de vó.

Hoje, talvez devido a gripe que está me deixando molinha, mole o corpo e mole o coração, estou com uma saudade infinita das minhas duas avós.
Tão únicas, tão vovós.

Minha vó Julia era muito na dela, morava sozinha e gostava do seu papaguaio, do Silvio Santos e de ter um canto só seu. Quase todos netos pediam benção, alguns porque os pais mandavam, eu e minha irmã não, mas a beijavamos e abraçavamos , ela dizia que era tão melhor.
Quando íamos na casa dela ela nos levava no portão olhava para os dois lados da rua e dizia: - Podem atravessar agora ! O detalhe é que já eramos crescidas e quase sempre nossa mãe estava conosco. Achava muito fofo esse cuidado genuíno dela.
Praticamente todo domingo a familia (ela teve 8 filhos) se reunia para almoçar com ela. Fazia uma galinha cozida maravilhosa. Galinha mesmo e não frango congelado que ela comprava em um galinheiro. Ás vezes a acompanhava na compra da galinha e no ínicio ficava chocada com a cena. Ter que escolher uma galinha viva e ainda ouvir ela gritando enquanto era encaminhada para o abate era horrível. Mas minha vó dizia que fazia parte da vida. Sabendo ou não querendo saber havia uma morte na refeição e que quando morava na roça, ela ainda tinha que matar a galinha. Compreendi e nunca mais reclamei de acompanhá-la.
Estórias. As estórias da minha vó eram muito legais. E ela ainda tinha vários álbuns que ajudavam eu e minha irmã a imaginar aqueles momentos vividos. Era só chegarmos na casa dela para pegarmos os álbuns antigos que já tinhamos visto mais de mil vezes e pedíamos para ela repetir as estórias. Uma das que eu mais gosto é de quando ela teve meu Tio Carlinhos. Estava em casa com as duas comadres e quando mninha vó percebeu que estava em trabalho de parto, as duas saíram correndo desesperadas e não voltaram mais. Minha vó teve meu tio sozinha. Ela contava os detalhes rindo muito das fujonas e não exaltando o sofrimento do parto .
Gostava de assistir programas com histórias reais, coisa que mamãe herdou e assistia todos os telejornais, quando não cochilava, claro. Durante muito tempo costurou as roupas mais lindas para eu e minha irmã. Roupas de lojas maravilhosas que ela copiava maravilhosamente bem. Tudo em sua casa era costurado por ela. Quando pequenas adorávamos brincar com os retalhos dos tecidos. Que saudades...
Voltando aos almoços de domingo. A famosa galinha era feita de uma maneira bem simples mas bastante deliciosa. Não tinha acompanhamentos. Mas como ela sabia que eu e minha irmã gostávamos de batata, ela passou a cozinhar batata para comermos com a galinha. Ato de puro amor.

Minha vó Flora era muito na dela também, morava com minhas tias e gostava de fazer coque no cabelo, do Roberto Carlos e de pão. Durante muito tempo só teve eu e minha irmâ de netas, reinávamos plenamente na casa de vovó.
Ela fazia um bolo mesclado maravilhoso e na hora de colocar a massa no tabuleiro sempre deixava um pouco para colocar em forminhas de empada e dar para nós duas. Minha vó fazia cupcakes para nós sem nunca ter conhecido essa palavra. Ela teve derrames e andava com dificuldades mas pegava a cadeira e colocava em frente a sua casa para "olhar" eu e minha irmã na rua. Quando estava na nossa casa em noites de calor, ela colocava o seu maiô preto e ficava na piscina Tone com nós duas até a hora de dormir.
Todo ano mandava cartão de Natal, elogiando o fato de termos passado de ano e pedindo que Deus nos abençoasse. Tinha uma letra tão linda a minha vó. Sou muito feliz por ter guardado os cartões.
Confundia os nomes de todo mundo da família e tinha jeito de sorrir com os olhos tão especial. Era revendedora Avon mas tudo que pediamos na revista, já tendo idade e dinheiro para pagar, ela encomendava e nos dava de graça, nunca queria aceitar o dinheiro. E se pedíssemos um produto em um mês, no mês seguinte já vinha ela com o produto novamente de presente. Eu e minha irmã trocavámos garrafas por pintinhos e dávamos pra minha vó criar, ela também matava a galinha para comer mas parou quando nós choramos por uma galinha amiga nossa. rs. Ria de coisas bobas e chateava-se por coisas igualmente bobas. Tinha uma latinha de biscoito onde guardava seus remédios e suas coisinhas. Quando íamos embora, mesmo andando com dificuldade ia até o portão e ficava lá em pé para dar tchau quando dobrávamos a esquina. Igualmente ato de amor de vó.

Somos a geração X. A última geração a ter vó do jeitinho das nossas vovós, uma época em que vó não usava calça jeans , não entendiam nada de computador e tinham cara e cheirinho de vó. Ah o cheirinho, juro que ainda sinto até hoje o cheirinho gostoso das cabeças delas.
Sei que algumas lembranças inevitavelmente vão sumindo, mas que eu nunca perca a lembrança do cheirinho bom das minhas avós.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

As vezes fico pensando....

Será que vivo em mundo paralelo, um mundo de sonhos, para conseguir ver tanta coisa boa nas coisas simples ou é o mundo e as pessoas que andam crueis demais e não enxergam mais nada mesmo????

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Sutilezas

Hoje eu teria que ir ao dentista que fica no 20 andar de um prédio bem alto. Chegando lá percebi que o único elevador que poderia me levar até lá estava funcionando com problemas. Continuei na fila firme e forte, apesar de já ter começado a ficar nervosa, e pensei, vou esperar o elevador chegar e perguntar pro moço se está tudo certo com o elevador, ele vai me tranquilizar e subirei. 15 minutos depois quando o elevador chegou, perguntei se o elevador estava normal. Mais ou menos, respondeu o moço, saí correndo e deixei a consulta pra lá.
Fui até o Bob's comprar um milk-shake pois o calor era grande. Entrei na livraria para ver as novidades e encontrei num cantinho um livro de fotografias que era a cara do namorado, fui até o livro e senti uma sensação super gostosa. Era um ar condicionado que estava ali escondidinho, jogando o ar em cima de mim. Deixei o livro pra lá, fechei os olhos e fiquei um tempão tomando o milk-shake com aquele vento super gelado e gostoso. Um tempinho depois um senhor de terno queria olhar o livro do cantinho e me pediu licença, achei que era hora já de ir embora e saí do cantinho, o senhor pegou o livro mas assim que sentiu aquele ar, apertou o livro contra o peito e fechou os olhos, olhou pra mim e me deu um sorriso. A partir dali já não éramos estranhos, éramos amigos compartilhando um segredo...

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Rapidinhas de férias

  • Só a minha melhor amiga vai passear no Jardim Botânico e reclama que a vitoria-regia, não está como ela esperava. Nas fotos elas são tão mais interessantes, disse ela.
  • Eu sei que é errado mas tenho um certo preconceito com quem faz um álbum no orkut dedicado ao time.
  • Também tenho implicância com quem tem celular rádio, ainda mais no metrô.
  • As vezes é quase impossível escolher um filme com o namorado, nossa filosofia de cada ida um escolhe está furando pois se o filme é ruim, tem uma espécie de perda de pontos para quem o escolheu, os critérios ficaram tão complexos que até a gente se perde. E a cada dia o namorado está mais chato em relação a filmes se não tiver soldados, monstros, robôs ou dinossauros ele não quer assistir :C
  • Estava reclamando com meu pai, que a gente bebe coca-cola a beça e não ganha nada daquela promoção que está rolando da coca-cola. Meu pai disse que não temos sorte com sorteio e lembrou que a única vez que ganhamos um sorteio foi quando eu era bem pequena e fizeram um sorteio em um circo que estavámos. Meu pai disse que sabia que nós tinhamos ganhado pois o carinha não conseguia ler o nome no papel. Só podia ser meu nome ou da minha irmã. rs ... O prêmio era uma bolsa preta ridícula de couro, quem teve a brilhante idéia de sortear bolsa de couro para crianças???

domingo, 30 de agosto de 2009

1/2 século de Vera

Há 50 anos o mundo tem a querida Vera, então há 50 anos o mundo não é o mesmo, pelo menos para quem convive com esta maravilhosa pessoa.
Vera é uma mistura de uma bondosa filha de Deus, uma carinhosa cidadã e uma maravilhosa mãe.
Sempre está disposta a ajudar quem precise, e muitas vezes já a vi se sacrificar para isso. Apesar de quem quer que receba sua ajuda, nem perceba, pois ao invés de cansaço ou pedido de reconhecimento, Vera leva consigo apenas um sorriso e um consolo.
Como eu tenho orgulho em ser sua filha, como sou feliz por isso...
Minha Vera nasceu e cresceu numa época muito especial do nosso Brasil, ela é o maior retrato das mulheres que quiseram mais do que as mulheres tinham há 50 anos: ser exclusivamente dona de casa.
Minha mãe é a cara da revolução feminista, é uma mulher que sempre batalhou e nunca se calou ou se omitiu, sempre agiu de acordo com seus ideais e sempre prezou mais a sua dignidade do que qualquer aparência.
Eu e minha irmã nascemos e fomos marcados por essa personalidade linda e forte da mamãe.
Minhã mãe nunca foi a rainha dos bolos, rainha da cozinha mas nos levava sempre para comer em lugares legais.
Minha mãe não tinha tempo para ficar de dia conosco mas ela nos levava para cinema, para exposições e eu com 10 anos de idade fui visitar a exposição de Rodin no Brasil.
Minhã mãe não sabia costurar mas ela sempre se esforçou para comprar as melhores roupas pra gente, andávamos sempre na moda e desde pequenininhas podiamos escolher nossa roupas, o que muitas amiguinhas não podiam.
Minha mãe não tinha tempo para arrumar a casa toda hora, enquanto nossas amiguinhas tinham bonecas arrumadas e enfileiradas dentro das caixas, mamãe pegava um lençol e fazia cabana pra gente e ainda enfileiravamos as cadeiras no meio da sala para brincar de ônibus.
Minhã mãe não assistia novelas, ela colocava Marisa Monte para tocar e cantava e dançava com a gente.
Minha maior lembrança da infância é que ela antes de trabalhar, levava a gente na escola, parava num bar, comnprava uma coca-cola abria as duas garrafinhas da merendeira e dividia para nós duas. Minha mãe podia estar atrasada para o trabalho, cheia de preocupações mas eu me lembro que ela dividia aquela coca-cola com tanta concentração, tanto carinho. Nós eramos muito pequena,, lembro que eu tinha que levantar a cabeça para enxergar o balcão, mas era tão bonito ver aquilo.
É isso, acho que essa imagem reflete bem o que é a minha mãe. Uma mãe linda e moderna, que independente do ambiente, mesmo não podendo fazer sempre um suco de frutas em casa e sim dividindo um refrigerante rapidinho num bar, tem o amor e carinho de uma mãe.
É moderna e antenada mas sempre mãe :D
5O ANOS, FELIZ VERA !!!!!!!!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Crianças da minha vida :D

Tenho crianças em minha vida que não são crianças comuns, são especias demais e falam cada coisa que as tornam mais especias e me fazem ama-las mais e mais.. Vai me dizer que você não sentiria o mesmo caso escutassem alguma destas delicadezas abaixo???
Priminha Carol - Estava em uma briga danada com a minha família sobre o show da Ivete no maracanã. Eles falando que o show lotou e eu afirmando que encheu mas nao lotou que muitos ingressos não foram vendidos e que o DVD não comprovava nada pois existem edições na filmagem. Todo mundo me massacrando, Carol percebeu que eu era voto vencido e para me ajudar soltou a pérola: - Não lotou não, no DVD dá pra ver umas cadeirinhas vazias. Todo mundo começou a rir dizendo que ela era puxa saco. Mas vamos admitir, prima pequena que defende os argumentos da prima é muito fofoooooooooooooooo.
Priminha Bia - Estava assistindo um anime japones legendado com a Bia, que ainda não sabia ler, ao meu lado, no meio do filme a minha irmã chama a personagem principal de bruxa e a Bia solta a pérola- Bruxa não , ela é uma velha de 15 anos ( detalhe a história era sobre uma menina de 15 anos que é enfeitiçada e vira idosa ou seja ela pequenina consegui entender a complexidade da história só através das imagens ) outra da Bia foi quando eu e minha irmã estávamos assistindo o filme Os outros, fomos dormir cheias de medo e a Bia que estava no quarto brincando enquanto o filme rolava, esperou a gente apagar todas as luzes e deitar para dormir e soltou a pérola - Tatá, Mymy, Esta casa é nossa! Ela falou a última frase do filme pra nos assustar e o pior é que eu e tatá ficamos cheia de medo e acendemos todas as luzes e ela se acabando de rir. Prima fofa que é inteligente e sarcástica é demais.
Priminho Joãozinho - Eu gosto de arrumar a mesa, sempre tento inventar um jeito diferente de dobrar o guardanapo, um tema para a mesa etc. Em um almoço qualquer João entra aqui em casa, me abraça e diz - A mesa está linda Mymy . Priminho pequinininho, homem e com sensibilidade pra elogiar uma mesa decorada é tudo na minha vida.
Afilhado Luan - Em um dias desses ligo pra ele e pergunto como vai, saiu automático, estava apenas o cumprimentando, querendo dizer oi, para começar a conversar com ele. mas o fofo ficou um pouquinho em silencio, e soltou a pérola : Ah minha vida está boa. Só criança fofa e sincera responde um como vai. Amo demais.
Pedrinho querido - Estavam explicando para o Pedrinho o que era um discurso e pediram para ele fazer um pro padrinho dele, pois era seu aniversário. Para facilitar pediram para ele falar coisas boas para o padrinho e ele soltou a pérola: - Ah coisas bonitas... bermuda nova, camisa nova, comidinha gostosa... Olha pureza de coração, tem discurso mais fofo????????
Lalazinha linda - A Lais além de ser filha da minha amiga é também minha amiguinha, trocamos várias idéias sobre episódios dos nossos desenhos favoritos. Vendo meu álbum no orkut onde posto fotos de roupas do dia a dia ela deixou como recado a pérola que irei colar aqui: - quanta roupa bonita VC TEM THAMY SÃ0O LINDAS E VC SABE FAZER CONJUNTOS VC É DEMAIS! Eu sei fazer conjuntos????????? Que expressão mais fofa do mundo é esta??????? Se eu sei fazer conjuntos não preciso de mais nada :D

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Aprendendo a dividir ...

Não que eu tenha sido em algum momento uma pessoa egoísta, é que eu gostava demais de livro novinho. Aquele cheirinho gostoso, a capa lisinha, e o próprio prazer em ter um exemplar pra chamar de meu. E tem mais, quando compro ou ganho um livro que quero muito faço como a Clarice Lispector quando criança. leio um pouquinho, escondo, só pra depois ter a surpresa de encontra-lo, faço durar bastante o momento da leitura.
Começei a me desprender dos livros quando vi que não caberia tudo no apartamento e ao invés de doar simplesmente ou vender, preferi tentar criar no trabalho um círculo de leitura, doar os livros mas sugerindo a pessoa a movimenta-lo, empresta-lo a outras.
Mesmo assim continuava com a mania de novos livros, apesar de comprar em sebos, gostava mais dos fresquinhos... Até que ... me increvi na biblioteca do metrô e começei a pegar livros emprestados e a partir daí não sei se mais maturidade da idade ou se simplesmente tinha que ser assim, começei a amar os livros já usados.
Eu rabisco muito os meus livros, odeio livros sem anotações, limpinhos, gosto de reler meus escritos depois e começei a admirar as anotações dos outros. Tem livros que eu pego que tem frases grifadas, anotações ao lado, dobras nas páginas importantes e mais um monte de toques de outras pessoas. Como se não bastasse o dois mundos que eu vivo, o real e o do livro que leio no momento, agora eu entro em outro mundo, os dos leitores que já leram aquele livro. Fico imaginando se a pessoa também chorou lendo aquela frase, se aquela citação de amor marcada foi para escrever para alguém ou não, quantos anos tinha, se devolveu o livro sem terminar de ler ou releu três vezes, será que leu no metrô ou deitado na cama e por aí vai... Adoro os mais acabadinhos que passaram na mão de mais pessoas e as vezes me surpreendo com um cheirinho de perfume entre uma folha e outra. É tão bom se sentir ligado a uma pessoa assim ... Agora quando compro um livro, sinto até falta de algum amassadinho... Pena que estive doente neste últimos dois dias e não pude devolver o livro na data, vou ter que ficar um mês sem pegar outros como multa, vou contar os dias pra ter nas mãos um livro que não é só meu, mas de quem quiser.