Hoje, talvez devido a gripe que está me deixando molinha, mole o corpo e mole o coração, estou com uma saudade infinita das minhas duas avós.
Tão únicas, tão vovós.
Minha vó Julia era muito na dela, morava sozinha e gostava do seu papaguaio, do Silvio Santos e de ter um canto só seu. Quase todos netos pediam benção, alguns porque os pais mandavam, eu e minha irmã não, mas a beijavamos e abraçavamos , ela dizia que era tão melhor.
Quando íamos na casa dela ela nos levava no portão olhava para os dois lados da rua e dizia: - Podem atravessar agora ! O detalhe é que já eramos crescidas e quase sempre nossa mãe estava conosco. Achava muito fofo esse cuidado genuíno dela.
Praticamente todo domingo a familia (ela teve 8 filhos) se reunia para almoçar com ela. Fazia uma galinha cozida maravilhosa. Galinha mesmo e não frango congelado que ela comprava em um galinheiro. Ás vezes a acompanhava na compra da galinha e no ínicio ficava chocada com a cena. Ter que escolher uma galinha viva e ainda ouvir ela gritando enquanto era encaminhada para o abate era horrível. Mas minha vó dizia que fazia parte da vida. Sabendo ou não querendo saber havia uma morte na refeição e que quando morava na roça, ela ainda tinha que matar a galinha. Compreendi e nunca mais reclamei de acompanhá-la.
Estórias. As estórias da minha vó eram muito legais. E ela ainda tinha vários álbuns que ajudavam eu e minha irmã a imaginar aqueles momentos vividos. Era só chegarmos na casa dela para pegarmos os álbuns antigos que já tinhamos visto mais de mil vezes e pedíamos para ela repetir as estórias. Uma das que eu mais gosto é de quando ela teve meu Tio Carlinhos. Estava em casa com as duas comadres e quando mninha vó percebeu que estava em trabalho de parto, as duas saíram correndo desesperadas e não voltaram mais. Minha vó teve meu tio sozinha. Ela contava os detalhes rindo muito das fujonas e não exaltando o sofrimento do parto .
Gostava de assistir programas com histórias reais, coisa que mamãe herdou e assistia todos os telejornais, quando não cochilava, claro. Durante muito tempo costurou as roupas mais lindas para eu e minha irmã. Roupas de lojas maravilhosas que ela copiava maravilhosamente bem. Tudo em sua casa era costurado por ela. Quando pequenas adorávamos brincar com os retalhos dos tecidos. Que saudades...
Voltando aos almoços de domingo. A famosa galinha era feita de uma maneira bem simples mas bastante deliciosa. Não tinha acompanhamentos. Mas como ela sabia que eu e minha irmã gostávamos de batata, ela passou a cozinhar batata para comermos com a galinha. Ato de puro amor.
Minha vó Flora era muito na dela também, morava com minhas tias e gostava de fazer coque no cabelo, do Roberto Carlos e de pão. Durante muito tempo só teve eu e minha irmâ de netas, reinávamos plenamente na casa de vovó.
Ela fazia um bolo mesclado maravilhoso e na hora de colocar a massa no tabuleiro sempre deixava um pouco para colocar em forminhas de empada e dar para nós duas. Minha vó fazia cupcakes para nós sem nunca ter conhecido essa palavra. Ela teve derrames e andava com dificuldades mas pegava a cadeira e colocava em frente a sua casa para "olhar" eu e minha irmã na rua. Quando estava na nossa casa em noites de calor, ela colocava o seu maiô preto e ficava na piscina Tone com nós duas até a hora de dormir.
Todo ano mandava cartão de Natal, elogiando o fato de termos passado de ano e pedindo que Deus nos abençoasse. Tinha uma letra tão linda a minha vó. Sou muito feliz por ter guardado os cartões.
Confundia os nomes de todo mundo da família e tinha jeito de sorrir com os olhos tão especial. Era revendedora Avon mas tudo que pediamos na revista, já tendo idade e dinheiro para pagar, ela encomendava e nos dava de graça, nunca queria aceitar o dinheiro. E se pedíssemos um produto em um mês, no mês seguinte já vinha ela com o produto novamente de presente. Eu e minha irmã trocavámos garrafas por pintinhos e dávamos pra minha vó criar, ela também matava a galinha para comer mas parou quando nós choramos por uma galinha amiga nossa. rs. Ria de coisas bobas e chateava-se por coisas igualmente bobas. Tinha uma latinha de biscoito onde guardava seus remédios e suas coisinhas. Quando íamos embora, mesmo andando com dificuldade ia até o portão e ficava lá em pé para dar tchau quando dobrávamos a esquina. Igualmente ato de amor de vó.
Somos a geração X. A última geração a ter vó do jeitinho das nossas vovós, uma época em que vó não usava calça jeans , não entendiam nada de computador e tinham cara e cheirinho de vó. Ah o cheirinho, juro que ainda sinto até hoje o cheirinho gostoso das cabeças delas.
Sei que algumas lembranças inevitavelmente vão sumindo, mas que eu nunca perca a lembrança do cheirinho bom das minhas avós.
Tão únicas, tão vovós.
Minha vó Julia era muito na dela, morava sozinha e gostava do seu papaguaio, do Silvio Santos e de ter um canto só seu. Quase todos netos pediam benção, alguns porque os pais mandavam, eu e minha irmã não, mas a beijavamos e abraçavamos , ela dizia que era tão melhor.
Quando íamos na casa dela ela nos levava no portão olhava para os dois lados da rua e dizia: - Podem atravessar agora ! O detalhe é que já eramos crescidas e quase sempre nossa mãe estava conosco. Achava muito fofo esse cuidado genuíno dela.
Praticamente todo domingo a familia (ela teve 8 filhos) se reunia para almoçar com ela. Fazia uma galinha cozida maravilhosa. Galinha mesmo e não frango congelado que ela comprava em um galinheiro. Ás vezes a acompanhava na compra da galinha e no ínicio ficava chocada com a cena. Ter que escolher uma galinha viva e ainda ouvir ela gritando enquanto era encaminhada para o abate era horrível. Mas minha vó dizia que fazia parte da vida. Sabendo ou não querendo saber havia uma morte na refeição e que quando morava na roça, ela ainda tinha que matar a galinha. Compreendi e nunca mais reclamei de acompanhá-la.
Estórias. As estórias da minha vó eram muito legais. E ela ainda tinha vários álbuns que ajudavam eu e minha irmã a imaginar aqueles momentos vividos. Era só chegarmos na casa dela para pegarmos os álbuns antigos que já tinhamos visto mais de mil vezes e pedíamos para ela repetir as estórias. Uma das que eu mais gosto é de quando ela teve meu Tio Carlinhos. Estava em casa com as duas comadres e quando mninha vó percebeu que estava em trabalho de parto, as duas saíram correndo desesperadas e não voltaram mais. Minha vó teve meu tio sozinha. Ela contava os detalhes rindo muito das fujonas e não exaltando o sofrimento do parto .
Gostava de assistir programas com histórias reais, coisa que mamãe herdou e assistia todos os telejornais, quando não cochilava, claro. Durante muito tempo costurou as roupas mais lindas para eu e minha irmã. Roupas de lojas maravilhosas que ela copiava maravilhosamente bem. Tudo em sua casa era costurado por ela. Quando pequenas adorávamos brincar com os retalhos dos tecidos. Que saudades...
Voltando aos almoços de domingo. A famosa galinha era feita de uma maneira bem simples mas bastante deliciosa. Não tinha acompanhamentos. Mas como ela sabia que eu e minha irmã gostávamos de batata, ela passou a cozinhar batata para comermos com a galinha. Ato de puro amor.
Minha vó Flora era muito na dela também, morava com minhas tias e gostava de fazer coque no cabelo, do Roberto Carlos e de pão. Durante muito tempo só teve eu e minha irmâ de netas, reinávamos plenamente na casa de vovó.
Ela fazia um bolo mesclado maravilhoso e na hora de colocar a massa no tabuleiro sempre deixava um pouco para colocar em forminhas de empada e dar para nós duas. Minha vó fazia cupcakes para nós sem nunca ter conhecido essa palavra. Ela teve derrames e andava com dificuldades mas pegava a cadeira e colocava em frente a sua casa para "olhar" eu e minha irmã na rua. Quando estava na nossa casa em noites de calor, ela colocava o seu maiô preto e ficava na piscina Tone com nós duas até a hora de dormir.
Todo ano mandava cartão de Natal, elogiando o fato de termos passado de ano e pedindo que Deus nos abençoasse. Tinha uma letra tão linda a minha vó. Sou muito feliz por ter guardado os cartões.
Confundia os nomes de todo mundo da família e tinha jeito de sorrir com os olhos tão especial. Era revendedora Avon mas tudo que pediamos na revista, já tendo idade e dinheiro para pagar, ela encomendava e nos dava de graça, nunca queria aceitar o dinheiro. E se pedíssemos um produto em um mês, no mês seguinte já vinha ela com o produto novamente de presente. Eu e minha irmã trocavámos garrafas por pintinhos e dávamos pra minha vó criar, ela também matava a galinha para comer mas parou quando nós choramos por uma galinha amiga nossa. rs. Ria de coisas bobas e chateava-se por coisas igualmente bobas. Tinha uma latinha de biscoito onde guardava seus remédios e suas coisinhas. Quando íamos embora, mesmo andando com dificuldade ia até o portão e ficava lá em pé para dar tchau quando dobrávamos a esquina. Igualmente ato de amor de vó.
Somos a geração X. A última geração a ter vó do jeitinho das nossas vovós, uma época em que vó não usava calça jeans , não entendiam nada de computador e tinham cara e cheirinho de vó. Ah o cheirinho, juro que ainda sinto até hoje o cheirinho gostoso das cabeças delas.
Sei que algumas lembranças inevitavelmente vão sumindo, mas que eu nunca perca a lembrança do cheirinho bom das minhas avós.